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Quem liderará as empresas em 2026?

Com orçamentos estáveis e processos mais criteriosos, mercado executivo prioriza liderança adaptativa, decisão baseada em dados e consultorias que atuam como advisors estratégicos

Headhunters são ótimos termômetros do mercado — e a expectativa para 2026 não é de uma expansão acelerada na busca por executivos. Mas isso não significa retração. Significa seleção.

Levantamento conduzido com 11 boutiques de busca executiva que atuam no país mostra que 63,6% esperam estabilidade nos orçamentos destinados à contratação de líderes. Apenas 9,1% enxergam crescimento.

O cenário desenha um ambiente conservador, porém ativo — no qual a pressão não está no volume de posições abertas, mas na qualidade da decisão.

O gargalo não é talento. É processo.

Segundo a pesquisa, 72,7% das consultorias apontam a lentidão dos processos como principal entrave nas contratações executivas. A percepção converge com dados globais: a McKinsey já indicou que 60% dos melhores candidatos se perdem devido à demora na tomada de decisão.

Outro dado relevante: 54,5% das consultorias afirmam que a profundidade consultiva é hoje o principal critério na escolha de um parceiro de executive search. O preço aparece como fator secundário, citado por apenas 9,1%.

A leitura é clara: em um ambiente de orçamento restrito, a exigência aumenta. O cliente quer menos currículo e mais diagnóstico.

A liderança que as empresas buscam

Para 2026, 54,5% das consultorias indicam a liderança adaptativa como competência prioritária. Capacidade de execução e tomada de decisão baseada em dados aparecem com 45,5% cada.

Curiosamente, inteligência artificial não desponta como habilidade isolada relevante. O que se valoriza é a capacidade humana de navegar em ambientes complexos.

Esse dado dialoga com o cenário global. O WEF aponta liderança e influência social entre as competências com maior crescimento.

Do fornecedor de CV ao advisor estratégico

O levantamento revela uma mudança estrutural. As consultorias que pretendem crescer não apostam em volume, mas na elevação do papel consultivo. A transição de fornecedor — mesmo quando atuando como recrutador interno — para advisor estratégico aparece como movimento central.

Exemplo desse movimento é a Tailor, uma das mais relevantes boutiques de executive search do país, que anunciou a chegada de Fabiano Kawano ao time de sócios.

Com mais de 20 anos de trajetória internacional, ligada a projetos de transformação organizacional e busca executiva em ambientes de alta complexidade, Kawano chega para reforçar a senioridade da atuação consultiva da empresa.

A movimentação não representa apenas um reforço de equipe. Representa uma leitura estratégica do mercado.

“Hoje não é possível conduzir um processo executivo sem embasamento em dados, inteligência digital e leitura de mercado. O volume de informação disponível é enorme e um ativo valioso. Mas dado sem repertório não vira decisão. A experiência acumulada do recrutador, o histórico de cases realizados e o entendimento profundo de contextos empresariais são o que transformam informação em diagnóstico.”

Kawano acrescenta que a entrega consultiva está na capacidade de interpretar nuances culturais, mapear riscos de sucessão e antecipar desalinhamentos estratégicos antes que se tornem problemas de governança.

A aposta está alinhada aos dados do benchmark: em um mercado morno em volume e duro em margens, vence quem consegue entregar inteligência aplicada à decisão.

A pergunta que fica é direta: as empresas estão preparadas para decidir capital humano com a mesma profundidade com que decidem capital financeiro?

A vantagem competitiva não está em quem contrata mais rápido, mas em quem escolhe as melhores lideranças.